Era o vento, era o vento,
que a menina empurrava,
com o chinelo na mão caminhava,
o sorriso no rosto,
deixava-se levar.
Para o caminho da vida,
que os ventos determinassem,
a fé a encorajava,
cabeça erguida, sua estrada tomou,
às vezes caía e os joelhos ralavam,
eram as marcas das lutas que sangravam,
quando ia desistir o vendaval chegava.
A cada caminho percorrido,
outro se apresentava,
novas marcas na alma que sangrava,
então a brisa leve a encaminhava,
devagar o vento aumentava,
tudo que se apresentava,
a menina abraçava.
Assim não tinha parada,
tanta coisa vivera,
foi rica, foi pobre,
amou, foi amada,
errou muito e outro tanto acertou,
foi arrogante, tornou-se humilde,
os ventos sabiam do que ela precisava.
Fez escolhas erradas e certas,
a cada lição aprendida, nova estrada surgia,
sempre um novo desafio,
nada nunca foi fácil,
no meio do turbilhão, uma coisa era certa,
a fé só aumentava.
Agora procura um oásis,
que nesta Terra não há,
o vendaval perdeu a força,
a empurra devagar,
ela entende ser a reta final,
que ela pede seja longa.
Que os ventos se tornem asas,
para acolher a todos,
que ela se torne brisa suave e morna,
para acalentar e aquecer a fé,
de toda essa gente,
que o vento através do acaso,
coloca em seu caminho.
Salve os ventos de Mãezinha, que parada nunca me deram,
fizeram que eu me tornasse gente e agora sua brisa me embala.
Eparrey! Minha Mãe!
18-10-2020
Luconi
