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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

OS VENTOS ME TORNARAM GENTE

IMAGEM NÃO CONSEGUI LER A ASSINATURA
DA AUTORA

Era o vento, era o vento, 

que a menina empurrava, 

com o chinelo na mão caminhava, 

o sorriso no rosto, 

deixava-se levar. 


Para o caminho da vida, 

que os ventos determinassem, 

a fé a encorajava, 

cabeça erguida, sua estrada tomou, 

às vezes caía e os joelhos ralavam, 

eram as marcas das lutas que sangravam, 

quando ia desistir o vendaval chegava. 


A cada caminho percorrido, 

outro se apresentava, 

novas marcas na alma que sangrava, 

então a brisa leve a encaminhava, 

devagar o vento aumentava, 

tudo que se apresentava, 

a menina abraçava.


Assim não tinha parada, 

tanta coisa vivera, 

foi rica, foi pobre, 

amou, foi amada,

errou muito e outro tanto acertou, 

foi arrogante, tornou-se humilde, 

os ventos sabiam do que ela precisava. 


Fez escolhas erradas e certas, 

a cada lição aprendida, nova estrada surgia, 

sempre um novo desafio, 

nada nunca foi fácil, 

no meio do turbilhão, uma coisa era certa, 

a fé só aumentava. 


Agora procura um oásis, 

que nesta Terra não há, 

o vendaval perdeu a força, 

a empurra devagar,

ela entende ser a reta final, 

que ela pede seja longa.


Que os ventos se tornem asas, 

para acolher a todos, 

que ela se torne brisa suave e morna, 

para acalentar e aquecer a fé, 

de toda essa gente, 

que o vento através do acaso, 

coloca em seu caminho. 


Salve os ventos de Mãezinha, que parada nunca me deram, 

fizeram que eu me tornasse gente e agora sua brisa me embala. 


Eparrey! Minha Mãe! 


18-10-2020

Luconi