Silêncio na mata se fez,
ouve-se um belo canto,
é o uirapuru saudando,
tão formoso caboclo.
Com penas coloridas,
brancas, verdes e amarelas,
nas costas arco e flecha,
nas mãos lança certeira.
Seu olhar astuto,
abrange todo seu reino,
emociona-se ao ver,
a vida resplandecendo.
As plantas o saúdam,
as flores seu perfume exalam,
os pássaros gorjeiam,
os animais o cercam.
O formoso caboclo,
prostra-se de joelhos,
levantando ao Pai uma prece,
que uma súplica parece.
Que nunca me falte a sabedoria,
para defender este reino,
da insanidade dos homens,
que sua riqueza não vêm.
Levei-lhes o conhecimento,
para o bem o usarem,
ao invés disso,
transgridem as leis em nome do progresso.
Levados pela ganância,
não entendem que é daqui,
que o milagre da vida,
acontece no planeta.
Não percebem que a Lei,
é imutável e eterna,
pelo mesmo mal que causam,
por ele consumidos serão.
Que mamãe Oxum,
os envolva com amor,
para que retrocedam,
no grande mal que fazem.
Não mais o caboclo falou,
seu olhar firmou no céu,
o rosto banhado de lágrimas,
lágrimas de puro amor.
Luconi
03-02-10
