Estavam
dormindo,
de
repente um barulho estranho ,
acordam
mal têm tempo de se levantar,
tudo
está desabando,
o
mundo desaba,
do
jeito que estão saem correndo,
não
antes de arrastarem a filha pequena,
vão
para fora,
mal
chegam ali a encosta vêm abaixo,
as
chuvas do dia surtiam efeito durante a noite,
desespero
geral,
alguns
não acordaram,
estão
soterrados,
eles
davam graças a Deus,
perderam
tudo, mas preservaram a vida.
Logo
sirenes, ambulâncias e bombeiros,
chegavam
apressados, mais desesperados que eles,
pelo
menos é o que parecia,
ou
talvez os sobreviventes estivessem em estado de choque,
eles
estavam com a adrenalina a toda,
muitos
feridos são retirados dos escombros,
no
entando retiram também alguns corpos,
um
adulto, um adolescente, duas crianças,
também
chega a defesa civil,
para
levar os sobreviventes para abrigo,
algum
destes prédios vazios da prefeitura,
agem
rápido, a televisão já está filmando,
fazem
mil promessas, vão construir, fazer e acontecer,
os
sobreviventes com um sorriso amarelo,
sabem
que para os outros não há pressa, só para eles,
terão
que continuar, terão que reconstruir a vida,
alguns
terão que enfrentar a saudades dos que se foram,
doações
chegam roupas, alimentos, a população os ajuda,
mas
logo cairão no esquecimento,
os
governantes sabem disso, os chefes da secretária sabem também, e a ajuda para a
nova moradia pode demorar anos.
Aos
poucos se adaptam a nova rotina ,
vão
idealizando novos sonhos, novas metas,
aos
poucos caem na realidade,
percebem que a ajuda talvez nem venha,
vão
então recolhendo seus pedaços,
remendando
suas vidas como roupas rasgadas,
como
uma colcha de retalhos,
tudo
velho e usado,
mas
costurado com jeitinho fica até bonito,
voltam
a sorrir, que importa as promessas,
um
a um vão se indo do abrigo,
um
a um iniciando uma nova colcha de retalhos,
prometendo
a si mesmos que desta vez
não
irão estender esta colcha em área de risco,
tentarão
ter condições de irem para lugar seguro,
uns
cumprirão a promessa,
a
maioria não conseguirá condições para tal feito,
cansados de esperar a tal ajuda,
acabam
novamente em área de risco,
rezando
todos os dias para que
a
nova colcha de retalhos perdure
tempo
suficiente até que um milagre aconteça.
04/12/09
Luconi
Faz mais de dois anos que escrevi este texto, no entanto, a situação é a mesma, o reeditei depois de ler a justa indignação do amigo escritor Toninho em seu blog Mineirinho, no texto :