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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

NOVO TEMPO CHAMADO ESPERANÇA - ADEUS ANO VELHO





Já dobrou a esquina, cansado, arfando que peso que trás nas costas. Coitado anda arqueado, mas falta agora tão pouco, com certeza não vai desistir agora, a poucos metros do término, falta só passar a tarefa para o próximo.

Este sim não tem pressa, vem passeando admirando a natureza, traz consigo apenas a esperança de ser bom para com todos.

Ao longe avista o companheiro, nossa como está enrugado, velho e acabado, coitado será que no inicio não era jovem, robusto e belo? Certamente que não, senão não teria ficado assim, está certo que o trabalho não é fácil, mas também, não será tão difícil, tão desgastante.
Finalmente se encontram, o jovem imediatamente põe-se a ajudar o velho companheiro. Este faz sinal para esperar, pegando algumas mochilas e soltando-as na grande espiral do tempo que as traga, fica apenas com mochila bem leve, que passa ao jovem companheiro.

Sorrindo diz ao jovem, com uma voz embarcada pela desilusão: - Esperemos meu amigo, que o tempo não se obrigue a devolver as que a ele entreguei.

- O que elas continham, amigo?

- As dores, as mágoas de toda esta gente. Agora na hora de trocarmos de lugar, todos se encherão com a esperança que você traz, por instantes passageiros esta esperança os sustentará, e isto faz com que todas as sacolas fiquem nas dobras do tempo.
- Mas passado alguns instantes, devagar, devagarinho, qualquer acontecimento sem importância, ou até mesmo um simples pensamento, faz com que eles relembrem as mágoas, e esquecem rapidamente a benção de terem te recebido. Então a energia que emanam, como um imã, lentamente abre as sacolas e vai devolvendo a cada um o que lhe pertence.
Foi desta forma que fui ficando pesado, envelhecido, pois além de trazerem de volta as mágoas antigas, ainda criam novas mágoas, novos motivos para cultivarem a dor.

Espantado o jovem responde:

- Nossa companheiro, pensei que o trabalho fosse mais fácil, existe alguma forma para isto não acontecer?
- Claro que existe, e é bem simples, se chama AMOR E FÉ, são as únicas energias capazes de diluírem para sempre qualquer mágoa.
 Mas infelizmente, nem o Amor nem a Fé se impõe, ou o ser o possui através da elevação de sua alma ou não.

- Então meu velho, vou me abastecer no manancial de amor que Cristo deixou na Terra, só assim chegarei ao final.

Então, o jovem olhando para o ancião, admirado percebe que ele livre de tais pesos resplandece se tornando extremamente belo, lágrimas corriam de seus olhos e ele ajoelha agradecendo ao Senhor o cumprimento da missão.
Diante de tal espetáculo, que os céus lhe proporciona, o jovem abraça o companheiro e diz:
-Vale muito a pena, de belo jovem ser transformado em decrépito velho, para depois receber o amor Divino agradecendo o cumprimento da missão e então resplandecer de luz.
 Segue meu bom velho, segue tua jornada reluzente, que eu agora começo a minha, com tempo certo para terminar. E que o tempo de Cristo me traga sabedoria para através do meu tempo transformar os corações humanos.

Assim segue o bom velho, viver um novo futuro, e o jovem com um sorriso nos lábios e os olhos brilhando de esperança, olhou para toda a gente que a ele recebia e sem pestanejar decidiu:

- O que couber a mim, farei o melhor sempre, o que couber a vocês procurarei dar o tempo necessário, e ao Pai eu peço que quando eu me for seja chamado do Ano da Esperança, pois hei de mantê-la viva em todo ser vivente.

Luconi
27-12-2012

Amigos que o próximo ano seja o início de uma imensa sementeira de amor, que a fé e a esperança esteja sempre presentes no coração de cada um e que o AMOR FRATERNO finalmente prevaleça sobre todos. 

Luconi

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AÇÃO IMPENSADA-VIDA QUE SE TRANSFORMA




Era apenas uma criança, alegre, bastava que uma música tocasse para se por a dançar, quando havia visitas, não se inibia, a alegria ela espalhava.

Os pais pensavam que no futuro procurariam uma escola de ballet, no momento era tão pequena, talvez em dois ou três anos.

Bom isso tudo ela era até os cinco anos, mas algo aconteceu que fez com que a pequena mudasse toda a sua personalidade, um fato até comum.

Nos últimos tempos, no meio da noite, acordava assustada, aos prantos chamando pela mãe, agarrava-se a ela e na cama do casal ia dormir. 

Antigamente tudo era considerado manha e ninguém questionou a pequena o porquê de tanto choro.

Bem, comentando com amigos, os pais só tiveram uma resposta: - Manha se trata com umas boas palmadas, se a situação não mais acontecesse estava confirmado o diagnóstico.

Os pais relutavam em tomar a medida, quem sabe não passasse sozinho, afinal ela nunca dera grandes problemas, haveria de passar.

Uma noite o pai chegara do trabalho bastante nervoso, o dia no trabalho havia sido péssimo, a cabeça latejava, a pequena mais uma vez acordou a mãe aos prantos e mais uma vez foi levada para a cama do casal, o pai que dormia muito mal, pediu à esposa que trocasse de cama com a filha, assim repousaria melhor.

Só que a menina agarrada com a mãe, quando percebeu a sua ausência, começou a chorar e pedir pela mãe. Era o que faltava para o copo transbordar, o pai não pensou, agiu, pegou bruscamente a menina, jogou-a em sua cama e sob os protestos da mãe, aplicou-lhe um corretivo bem pouco parecido com palmadas no bumbum, estava descontrolado, foi uma surra e tanto, abalado emocionalmente com seus problemas anteriores, descarregou na pobre toda a sua ira.

Bem, a pequena cresceu e passou muitas noites de pavor, o que a apavorava era visões de gente que ela nunca tinha visto, sem contar os sonhos onde aquelas pessoas queriam pegá-la, nunca mais chorou ou pediu socorro, nunca falou o que a amedrontava, mas também não se lembrava daquela noite, a lembrança da surra havia sido varrida de sua memória, não pedia ajuda por que dentro dela algo dizia que era melhor ficar quieta, nunca ouviu nenhuma referência dos pais a tão malfadada noite.

A sua personalidade mudara, a menina alegre morrera, cresceu quieta, pelos cantos da casa, não procurava a companhia de ninguém nem dos irmãos, não tinha amigas, mas era excelente aluna, nunca mais a viram dançar e aos poucos se acostumaram com a menina triste, obediente sempre foi, mas tornou-se explosiva, não conseguia expor seus pensamentos, suas ideias sem se alterar, e enquanto todos abaixavam a cabeça quando o pai dava uma ordem, ela para o desespero da mãe o enfrentava, bastava achar que a ordem era injusta, sem procedência.

Ela e o pai tornaram-se os melhores amigos, como jamais visto, ele adivinhava os seus pensamentos e ela os dele, o que realmente atrapalhava era as suas explosões, na maioria das vezes muito justas, mas que a faziam perder a razão, magoava as pessoas e não conseguia se expor de forma a protestar ajudando e não ferindo.

Por isto, um dia desabafou com sua madrinha, e esta sem rodeios lhe disse que nem sempre fora assim, contou-lhe sobre o seu jeito alegre de ser e explicou-lhe a terrível surra que levara, as consequências de tal surra logo foram vistas, no dia seguinte amanhecera com quarenta graus de febre, seus pais correram para o médico, que sem dúvida nenhuma diagnosticou o trauma sofrido, alguns dias demorou a febre ceder, mas a espontaneidade, a alegria nunca mais voltou.

Seus pais cogitaram em levá-la a um psiquiatra, mas logo rejeitaram a ideia, na época este era médico de loucos, então esperaram que o tempo curasse.

A menina, agora já uma moça, espantou-se pelo fato de não se lembrar de nada daquela noite, o que se lembrava era apenas das visões que tanto a amedrontaram, por tanto tempo.

Por amar demais os seus pais nunca tocou no assunto com eles, entendera que fora um momento de nervoso.

Tocou sua vida, quando nos conhecemos já tinha filhos adultos, sempre enfrentou sérios problemas em se relacionar em qualquer ambiente, expor suas ideias no trabalho jamais, a duras penas e muita fé aprendeu a controlar as explosões, não conseguiu ter autoestima e nem confiança em si mesma, sempre enfrentou sérios problemas conjugais e sua vida profissional segundo ela tornou-se medíocre.

Após o desabafo me disse: “Não sei quem realmente sou, sempre tenho a impressão que essa não sou eu e não sei se realmente esta é a vida que eu deveria ter levado”.

Com um ato impensado, o pai havia sem querer transformado toda a sua vida.

Luconi
04-10-2008

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CHICA E ANNE TRANSFORMANDO VIDAS



Seu Abreu estava sentado muito triste e cabisbaixo em uma cadeira que colocara perto do portão de sua imensa propriedade, era uma chácara, muito bem cuidada.
Ele não sabia que sua vida triste iria mudar completamente naquele dia.




Por quê? Ora bolas gente, uma certa Chica e uma tal Anne estavam ali perto fazendo um piquenique, como são muito curiosas, resolveram andar pelas imediações, não só para conhecer, mas também, para tirarem fotos e inspirações para seus belos textos.




 ANNE-MENINA VOADORA

Não é que logo as duas ouviram um gorjeio tristonho, ficaram curiosas em saber por que um pássaro que deveria ser feliz no meio daquelas árvores, cantava de forma tão tristonha.

Não foi difícil se depararem com seu Alceu ali no portão, mas como nasceram pra detetives e não gostam de ninguém triste, ao invés de irem falar com ele, tentaram achar o tal pássaro, o que não foi difícil, bem na varanda da casa, viam muitas gaiolas de pássaros solitários, belos e muito tristes, depois avistaram um belo cãozinho preso com uma pequena corrente próximo de sua casinha.

AH! Minha gente, acham que estas duas jardineiras do amor gostaram? Não e não, haveriam de dar um jeito, foram conversar com o seu Alceu.

Com um jeitinho muito especial, as duas conseguiram descobrir que seu Alceu estava triste por viver na solidão, os filhos crescidos foram viver suas vidas na cidade, a esposa, Dona Mariana, caíra em depressão e não mais saía do quarto e ele na solidão ficara. 

Queixoso dizia a elas:
- Tanto fiz pelos meninos, mas eles não queriam mais me escutar, eram teimosos, não percebiam que se eu queria do meu jeito, é para poupar sofrimento a eles no futuro.

Ora, Anne e Chica já sabiam qual seria a solução e as duas dando uma piscadinha uma para a outra, perguntaram a Seu Alceu:
- Por que aprisiona todos que ama? Veja o cachorrinho, está preso numa corrente.
-Vocês não sabem, mas Fofinho é teimoso, vive querendo nadar no rio aqui próximo, já pensaram se lhe acontece alguma coisa? E quando resolve correr atrás das galinhas, nunca consegue pegá-las, mas elas podem bicar e feri-lo, uma vez quase acertaram seu olho.

Chica balançou a cabeça: -Se o senhor não lhe der oportunidade ele nunca vai aprender, é esperto com certeza nem se afogará no rio e nem deixará as galinhas o bicarem, poderá sofrer uns arranhões, mas esteja certo será feliz e tanto o senhor como sua senhora terão uma agradável companhia.

Anne aproveitou que ele ficara pensativo e foi dizendo: - Vamos Seu Alceu, temos que colocar  recipientes com água nestas belas árvores.
Ele não sabia o que pensar ou dizer, elas eram um bocado intrometidas, então quis saber:
- Pode me dizer, por que eu permitiria isso?
-Simples, sempre atraímos para nós o que plantamos - diz Chica, pensando ele não conhece os CANTEIROS DA VIDA.

- Pois é, seu Alceu, é simples seus pássaros cantam de forma triste, o senhor quis tê-los só pra si, como fez com seus filhos, então, toda esta solidão e tristeza deles, é claro que acabou acontecendo em sua vida - arrisca Anne, pensando agora quem falou foi a MENINA VOADORA.

- Seu Alceu diz, será tão simples assim? Mariana, mulher, vem pra cá, temos novidades!
Dona Mariana aparece na porta da casa, desejando que fosse um dos filhos. Olhou para as duas e sorriu, estava desapontada, mas pelo menos era gente diferente, Alceu nunca a deixara ter amizade com ninguém, dizia que a protegia.


-Vamos, mulher, estas senhoras vão nos ajudar a mandar a solidão embora.

Rapidamente, correu soltar Fofinho da corrente, que como era de se esperar, depois de pular em todo mundo, começou a correr em disparata sem rumo certo de alegria, em seguida, foi ajeitar as cumbucas para colocar nas árvores de sua chácara que eram muitas.

Nossa que alegria, quando soltaram os pobres pássaros, de imediato alguns apenas ficaram em cima de sua própria gaiola, depois voaram.
Anne e Chica depois de comerem uns biscoitinhos deliciosos com café bem quentinho, foram embora felizes da vida.

Depois de sete dias, em outro final de semana, voltaram curiosas para verem como seu Alceu e dona Mariana passavam e qual não foi a surpresa ao verem os três filhos deles ali, dois rapazes e uma bela jovem que era a caçula, viera com os rapazes as namoradas e com a jovem o marido que trazia um lindo bebê no colo.

Ficaram sem graça, afinal era uma reunião familiar, mas seu Alceu correu a abraçá-las dizendo:
-Vejam filhos, foram elas que com simples palavras abriram meus olhos.
Dona Mariana, com alegria incontida, completou:
- Naquele dia, depois que foram embora, liguei para os meus filhos e lhes disse:- Venham ver a reforma que aconteceu aqui, podem vir papai não vai ralhar nem mais se intrometer em suas escolhas, duas senhoras reformaram o seu pai.

Os passarinhos não foram embora, ficaram pelas árvores, sabiamente seu Alceu jogava toda manhã certa quantidade de alpiste pelo gramado e trocava a água dos recipientes, o canto deles era um hino de louvor e Fofinho, todo branquinho, estava bem sujinho de terra, mostrando quanta arte fazia.

Anne e Chica admiradas com tudo, pois, não esperavam tanto, entreolharam-se e trocaram uma piscadinha.
É, às vezes, a Joaninha e a Menina Voadora se ajuntam e então saiam da frente, pois, com elas não há quem possa.


Luconi
12-01-2012        

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

COLCHA DE RETALHOS




Estavam dormindo,
de repente um barulho estranho ,
acordam mal têm tempo de se levantar,
tudo está desabando,
o mundo desaba,
do jeito que estão saem correndo,
não antes de arrastarem a filha pequena,
vão para fora,
mal chegam ali a encosta vêm abaixo,
as chuvas do dia surtiam efeito durante a noite, 
desespero geral,
alguns não acordaram,
estão soterrados,
eles davam graças a Deus,
perderam tudo, mas preservaram a vida.


Logo sirenes, ambulâncias e bombeiros,
chegavam apressados, mais desesperados que eles, 
pelo menos é o que parecia,
ou talvez os sobreviventes estivessem em estado de choque,
eles estavam com a adrenalina a toda,
muitos feridos são retirados dos escombros,
no entando retiram também alguns corpos,
um adulto, um adolescente, duas crianças,
também chega a defesa civil,
para levar os sobreviventes para abrigo,
algum destes prédios vazios da prefeitura,
agem rápido, a televisão já está filmando,
fazem mil promessas, vão construir, fazer e acontecer,
os sobreviventes com um sorriso amarelo,
sabem que para os outros não há pressa, só para eles,
terão que continuar, terão que reconstruir a vida,
alguns terão que enfrentar a saudades dos que se foram,
doações chegam roupas, alimentos, a população os ajuda,
mas logo cairão no esquecimento,
os governantes sabem disso, os chefes da secretária sabem também, e a ajuda para a nova moradia pode demorar anos.

Aos poucos se adaptam a nova rotina ,
vão idealizando novos sonhos, novas metas,
aos poucos caem na realidade,
 percebem que a ajuda talvez nem venha, 
vão então recolhendo seus pedaços,
remendando suas vidas como roupas rasgadas,
como uma colcha de retalhos,
tudo velho e usado,
mas costurado com jeitinho fica até bonito,
voltam a sorrir, que importa as promessas,
um a um vão se indo do abrigo,
um a um iniciando uma nova colcha de retalhos,
prometendo a si mesmos que desta vez
não irão estender esta colcha em área de risco,
tentarão ter condições de irem para lugar seguro,
uns cumprirão a promessa,
a maioria não conseguirá condições para tal feito,
 cansados de esperar a tal ajuda,
acabam novamente em área de risco,
rezando todos os dias para que
a nova colcha de retalhos perdure
tempo suficiente até que um milagre aconteça. 

04/12/09

Luconi



Faz mais de dois anos que escrevi este texto, no entanto, a situação é a mesma, o reeditei depois de ler a justa indignação do amigo escritor Toninho em seu blog Mineirinho, no texto :

Assim como um rio,vale a pena clicar e conferir.

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MENINA DE TRANÇA



























Imagem Benjamin Lacombe



Menina de trança saiu do barraco de pé no chão,
carregava consigo uma boneca de pano,
apertada ao seu peito como se fosse um tesouro,
não andava simplesmente, pulava uma amarelinha imaginária,
ia até o fim da quadra e depois retornava em um eterno vai e vem.

Não se importava com o chão de terra, sua imaginação fervilhava mil sonhos, um dia iria à escola, quem sabe ano que vem, sim já era hora estava com seis anos, como seria bom muita coisa mudaria.

O ano que vem estava próximo, apenas alguns meses, mamãe falara, mas eta meses que demoravam para passar,
algumas amiguinhas na escola já estavam, imagine só
que lá na escola tem merenda, e dizem que dão até
caderno e lápis, nossa a pobre menina achava que neste dia
explodiria de alegria.

Enquanto não vem escola, o jeito é brincar, não demora muito a mãe lhe chama, ela entristece é hora de irem, vão vender doces no farol,mamãe diz que com ela junto vende bem mais,
bem pelo menos o dia está mais quente, no frio é muito ruim.

A menina vai, sabe da necessidade, entende o que é fome,
sabe que da venda dos doces é que vem a comida,
bem no ano que vem mamãe disse que só irão a tarde,
depois da escola, quem sabe ela não arruma um emprego,
faz tempo que procura.

Andam um bocado, chegam à avenida, ali está o farol,
ali a menina não tem tempo de pensar, farol fechado é hora de correr, a mãe fica na calçada e ela corre para a janela do carro
mais próximo, seus olhinhos muito vivos, seu sorriso franco,
ajudavam muito e alguma coisa sempre vendia.

Nestas horas a menina não sonha mais, apenas reza
para venderem logo bastante, para irem cedo para casa,
ali no corre corre  a fome sempre vem, mas tem que aguentar,
a mamãe diz que não dá para gastar com bobagens,
será que é bobagem matar logo a fome, bem melhor não perguntar, a tardinha o homem da padaria lhe dará um  ou dois pãezinhos.

Começa anoitecer, retornam para casa, a menina
exausta nem pensa mais em brincar, a mãe rapidinho ajeita um prato de comida, mal acaba de comer ela adormece.

A mãe a leva para a única cama do cômodo, acaricia os seus cabelos, a consciência lhe dói, precisa arrumar um trabalho,
aquilo não é vida para uma criança, sabe que está errada, mas
como fazer, tudo tão difícil, ainda bem que só trouxera ela, o resto ficara no norte, a espera.

Seria uma longa espera, viera iludida agora tarde demais, o jeito era dormir, quem sabe amanhã o tal trabalho não aparece quem sabe um dia as coisas mudariam, quem sabe...... 


LUCONI 
26/06/09



sábado, 10 de setembro de 2011

DESABAFO COMO SOU PEQUENA

                                  





Chegou de mansinho, humilde, fala mansa, como há um ano, quando fazia dezessete anos que havia sumido, um belo dia ligara pedindo socorro, precisava ser resgatada, todos nos unimos, meu filho seu sobrinho tratou de tudo e em uma semana ela chegava no aeroporto de Congonhas, uma sombra do que um dia havia sido.

Trazer todos ajudaram, ficar com ela ninguém queria, os filhos muito menos, não confiavam mais nela, um dia se fora, sumira com um rapaz dezesseis anos mais jovem, o marido que apesar de sempre ter os seus galhos fora de casa, não foi desonesto deu-lhe metade de tudo, estavam bem de vida, ela tudo vendeu e em poucos anos o dinheiro sumira, nunca explicou o que aconteceu, veio com a deslavada mentira que o BRADESCO havia sumido com o dinheiro de sua conta. Como viveu dezessete anos com o tal homem e ele nunca trabalhou, somente ela e o seu pedido de socorro foi porque a policia estava atrás dele e os vizinhos prometiam matá-lo, pensamos que provavelmente ele dera fim no dinheiro.

Bem eu sempre havia dito que a receberia e assim o fiz, ficou em casa quinze dias, queria que ficasse mais, pois todos estavam procurando uma casinha perto de mim para alugar, assim poderíamos ajudá-la e ela voltaria a trabalhar, como fisioterapeuta era  formada e também dera de ler tarot e isto atraía muita gente.

Bem aos poucos deu um jeito de ir para a casa de outra irmã, para ela eu era pobre e por isso tinha amizade com gente simples, na minha outra irmã ficou dois dias e pronto conseguiu tirar minha irmã do sério, que imediatamente a devolveu a mim.

Minha casa não queria, dizia que eu tomava muito conta dela, queria mandar nela, tinha dez olhos em cima dela, e era verdade, tinha medo dela aprontar, aos poucos foi ganhando minha confiança e assim lendo um tarot para uma conhecida que morava no interior me disse que iria para o interior com ela por quinze dias, que deixasse a cama e o guarda roupa arrumados para ela.

Nunca mais voltou, já havia combinado de morar lá, magoei-me, pois mais uma vez ela mentira, por dois meses não desarrumei o quarto, esperei, enfim caí em mim.

Outro dia  voltou, dizendo que meu irmão tinha um quarto a mais na casa dele, estranhei, telefonei e ele me disse: Não Má, só falei para ela passar o final de semana. Conclusão ela veio, ele não passou o endereço e ela acabou na minha porta.

Como da outra vez a recebi, mas com o pé atrás, ela não queria a minha casa, queria se sentir livre então fui logo dizendo: Fique tranquila que em poucos dias me mudo e em seguida alugo para você uma casa pequena mas que você possa trabalhar, agora estava dando atendimento pela Net além das massagens e tirava razoavelmente bem.

Foram sete dias terríveis, por tudo ela arrumava a mala e dizia ir embora, eu não podia dar bronca em minha filha que ela dizia que ia embora, se eu soltasse um palavrão um p que p ela ia embora, se eu e meu marido conversássemos em tom mais alto ela ia embora, quando terminava de limpar a casa ela resolvia dar coisas para a Ula comer jogando pelo chão da casa se eu falava alguma coisa eu era brava e mandona e ela ia embora, se o queijo acabasse, a banana, ou não tivesse azeite ela dizia ser doente e precisar de alimentos assim, e tinha que ir comprar na hora, como eu não ia, ia ela.
 Quando usava o banheiro entrava com desinfetante porque dizia que o meu marido também usava o mesmo banheiro e homem ela dizia faz aquelas coisas, tudo na cara dura.

Passava o dia deitada até a hora de eu terminar o serviço, pois se dizia velha e por isto precisava descansar, e meu nervos na flor da pele, meu marido fazendo exames devido ao mioma encontrado na ultra, a minha filhota cedeu o quarto para ela de vez e se ajeitou na sala, com seu jeitinho humilde e fala mansa ganhava espaço e a gente se encolhia.

Uma noite minha filha casada me ligou e disse: Mãe, a filha da p daquela funcionária aprontou de novo, não aguento mais. Eu respondi, mas que f d p de novo?  P q p haja paciência. Pronto a dona humildade começou a reclamar e aí eu não aguentei desencadeou em mim uma coisa que há mais de vinte anos eu não tinha, uma senhora crise de ira, nossa gente falei muito, ela fingiu estar tendo um treco, corri chamar a ambulância, quando ouviu eu falar ao fone imediatamente ficou boazinha, se ajeitou na cadeira  e disse que bobagem já passou, não tenho mais nada.

Voltou ao normal, disse que éramos irmãs e que sabia que eu estava com muita coisa na cabeça, inclusive arrumando clientes para ela, só queria saber se na nova casa que eu ia  teria um quarto só para ela, não eu respondi, não tem são dois quartos como aqui, e o bairro é simples, mas você trabalha pela Net e eu já estou ajeitando casa pra você.

Saí de manhã para resolver exames de meu marido, quando voltei, ela de malas prontas me disse que tinha arrumado clientes em SP e voltaria no domingo já no meu novo endereço, à meia noite quando tive tempo de abrir minha caixa de e-mails, havia um e-mail dela dizendo voltei para o interior, não havia cliente alguma, te amo muito e te perdoo pelo teu mau gênio, você é muito mandona.

Desde então não tenho conseguido fazer poesia, parece que fiquei oca por dentro, pedi a ela que por uns tempos não me telefone, não estou em condições de ouvir mentiras, ela me desconjurou, diz que por ser mais velha eu lhe faltei com o respeito, que eu me descontrolei devido a tanto problemas que tenho, que ela se sentia muito mal com os problemas de saúde e financeiros da casa, que ela precisava cuidar da vida dela,  mais um monte de coisas assim e por final diz que não mentiu nunca apenas ocultou a verdade.

Gente não sabe como estou me sentindo mal, sabe nunca pensei que eu atingiria tal estado de ira, aquela noite foi demais, vê-la fingindo, depois deitar ao chão e chamar não sei quem que diz ser a esquerda da religião hinduísta e tentar praquejar, tentar porque eu não deixei, realmente o meu estado de ira faria qualquer um ficar com medo, mas eu precisava pará-la, contê-la estava tendo um chilique atrás do outro, como fizera na casa de minha outra irmã daquela fez. Tornei-me uma pessoa tão pequena, tão irracional, falei verdades que ninguém fala para ela, verdades que fazem que ninguém a queira em sua casa, todos lhe dão tapinhas nas costas mas procuram se desvencilhar o mais rápido possível, e ela sempre acaba onde não quer, na minha casa, eu não tenho coragem de fechar a porta, a amo tanto é minha irmã, usa de falsa modéstia, manipula as pessoas com a fala mansa, diz que ama todo mundo, mas não mexe uma palha por ninguém se tiver que sair de sua comodidade, a menos que lhe interesse.

Gente me perdoe precisei escrever, por para fora, senão não vou conseguir mais escrever, não gosto de hipocrisia e aquela noite eu percebi o quanto sou atrasada espiritualmente, o quanto ainda me arrasto no lodaçal de meus defeitos, mas quem sabe depois deste desabafo e de orar por nós duas eu consiga me sentir menos oca, menos perdida. 

Luconi

10-09-2011

sábado, 20 de agosto de 2011

PEDACINHO PERDIDO


  
Estava caminhando pela estrada da vida, quando reparei que havia perdido um pedacinho de mim.

Pus-me a procurar e fiquei tanto voltas que acabavam sempre no lugar em que eu havia sentido a sua falta, não percebi o tempo passar e de repente um senhor de idade avançada apareceu vindo do mesmo caminho que eu já havia passado.
Passou por mim sem me perceber e eu sem saber o porquê, o chamei.

- Desculpe senhor, por acaso viu um pedacinho de mim por este caminho, eu o perdi e não me dei conta.

- Pedacinho de você?

-Sim, sabe tenho perdido alguns pedacinhos nesta minha estrada, todos da mesma forma, sentia que ia perdê-los, mas não conseguia evitar.

-Bem, olhando agora dentro de você, percebo várias cicatrizes, são os pedacinhos que perdeu e realmente tem um lugar que está aberto, deve ser este que você procura.

- Bem gostaria de encontrá-lo, pois neste pedacinho estava a realização de um grande sonho de infância.

O senhor olhando-me bem nos olhos, falou-me suavemente.

- Filha, está aberto sem sinais de cicatrização por que você não quer cicatrizá-lo, desde que percebeu a sua perda, insiste em voltar para trás, não percebe que os sonhos não se perdem, eles se transformam e assim que você permitir a ferida cicatrizará, como cicatrizou todos os outros pedacinhos que você perdeu.

Não se esqueça filha, para traz na estrada da vida, você não pode andar.

Sem mais nada dizer, foi-se embora, e eu entendi, não se vive do passado, a vida é eterna renovação, e juntamente com ela os sonhos não só se renovam como se transformam.

Luconi
04-12-08

domingo, 14 de agosto de 2011

VIDAS QUE SE COMPLETARAM



Hoje me lembrei da história que vive, como fruto de um amor, sinto-me tão bem ao lembrar,
para muitos pode parecer  uma história fictícia, talvez um conto de fadas, mas eu posso garantir, foi real e verdadeiro, eu estava lá.

Ainda aos treze anos Odette abria a janelinha da porta de sua casa, para ver o seu eleito passar, ele não percebia, pois ela nas sombras se escondia.

Três anos mais velho que ela, já se julgava um homem, era ajudante de ferramenteiro nada ganhava,
apenas uns safanões se não prestasse atenção, estava ali para aprender, assim era naquela época, a nona, sua mãe dava “grazie ao Dio” por ter conseguido a vaga de aprendiz para ele.

Quantos sonhos entrará para o SENAI, estudaria ferramentaria e também desenho mecânico, uma oportunidade e tanto, poucos tinham a chance e ele só estudara até o quarto ano primário, mas era muito dedicado, iria conseguir.

Namorar, não por enquanto só flertar, e de preferência meninas fora do bairro, para não pegar mal. Assim passaram-se alguns anos, ele já percebera a menina que todo dia o aguardava, mas fazia que não via, ela era de família, e depois seu coração batia muito forte quando a via, aqueles olhos verdes rasgavam-lhe a alma, ela não podia perceber, senão estaria em suas mãos.

Bem, tentou fugir não deu, ela não saia de sua cabeça, sabia que a menina não namorava ninguém,
nem flerte ela aceitava, nas domingueiras a todos recusava, e quando ele se aproximava, seus olhos ela abaixava, as faces ficavam rubras, e de repente os dois só gaguejavam.

Não podia ser diferente, o amor era puro, sincero, e Giordano e Odette, em um quatro de setembro, tornaram-se marido e mulher. A luta foi muito grande, vocês nem imaginam, a mãe de Giordano não queria uma neta de italianos, estava de olho em uma italiana pura, saída do forno. Nunca se conformou, vivia na casa da nora, eram vizinhas, fuxicava o que podia, aumentava e dava a entender, todo dia era assim, Dete não limpa casa, a comida não é boa, não cuida das crianças, e exigia atitudes dele.

Nossa demorou bem uns quinze anos para se mudarem para longe dela, e só aí é que Giordano se deu conta de como a mãe inventava, longe viviam em paz.

Tiveram quatro meninas e um menino, eu sou a terceira filha, imaginem se a nona não aprontou uma briga quando soube que eu vinha, coitada, no início nem na cara me olhava, um dia me segurando no colo, ela foi com tudo pro chão, quebrou o nariz.  Até Giordano disse, é mãe a senhora não a queria.

Giordano se formou antes de se casar, a mãe lhe emprestou dinheiro para comprar um torno, em troca de que em cinco anos colocasse o irmão mais novo como sócio, ele aceitou, queria progredir.
E progrediu, com muita luta um dia percebeu que ganharia mais se comprasse uma mula manca, (máquina de injeção de plástico), havia guardado dinheiro, adivinhem seu irmão agora sócio e seus pais, aprontaram a maior revolta, e ele não ouviu e quando menos esperavam, a tal mula manca foi entregue.

Em poucos anos ganharam a confiança do mercado, fabricavam para as metalúrgicas, e haviam conseguido a Brasilit, a Eternit e a Duratex então Deca, aos poucos começaram a fabricar a linha para lojas de material de construção, e o deslanche foi automático, uma coisa puxava a outra.

Odette ali, firme forte, ao lado de seu adorado Nano, vocês não imaginam como era o amor deles, ela o apoiava em tudo, muito simples, ingênua mesmo, com um coração que abrangia a todos, não via maldade em ninguém, costumava disser que “ todos nesta vida vem para pagar alguma coisa, mas eu não precisei pagar nada, tudo o que quero é meu Giordano e tenho”, isto depois de vinte e cinco anos de casado.

Fui secretária de meu pai, trabalhei lado a lado, anos a fio, íamos e vínhamos juntos para o trabalho, o dia que ele esquecia de dar um beijo nela ao sair, ele me dizia, Má corre liga pra mamãe e me passa a ligação,  ela está triste eu esqueci de beijá-la.

Assim eles eram, quando papai chegava do trabalho, mamãe já com a janta pronta, subia as escadas com ele, e ficavam a confabular, no banheiro tinha uma cadeira que ela sentava e enquanto ele tomava banho, contavam as novidades do dia.

Nossa o amor se sentia no ar, era uma vida rotineira, às vezes interrompida com este ou aquele fato, triste ou alegre, mas tudo era resolvido, e voltava-se ao normal, éramos tão unidos. Mesmo depois quando as filhas foram casando e acabou ficando só o menino, raspa de tacho, orgulho deles.

Giordano mais uma vez iniciou um empreendimento contra a vontade de seu irmão, a fábrica pequena, não suportava mais máquinas, estavam já com sessenta funcionários, e estavam num bairro que era comercial e residencial, pagavam todo ano certa quantia para a fiscalização não denunciar. Ele não teve dúvidas, comprou um terreno em local próximo, mas zona fabril, e começou a projetar a nova fábrica, seu irmão não quis saber dos projetos, era contra, tinha medo de mudar e se de repente os pedidos caírem. Giordano fez tudo sozinho, contratou engenheiro, juntos fizeram a planta e depois a construção, enorme, também foi já comprando máquinas modernas automáticas, e seu irmão de nada participava, dizia não querer saber.

Bem ele concluiu o projeto, iria mudar a fábrica aos poucos, não poderia paralisá-la, os prejuízos seriam imensos, calculou que levaria quase um mês para a mudança de tudo. Mas os projetos estavam em sua cabeça, seu irmão não queria saber, e nas vésperas de iniciar a mudança, de instalar a primeira máquina, Giordano vítima de um infarto do miocárdio fulminante faleceu.

Imaginem o desespero nosso, a dor, e Odette, que apenas falou “ agora filha começou o meu resgate,
e só terminará no dia que eu ir ao seu encontro através da grande viagem”.

A mudança da fábrica? Ah adiaram por um ano, o Luiz irmão de Giordano precisou contratar um acessor para aprender a lidar com a parte que Giordano lidava.  Luiz sempre foi um homem muito trabalhador, era o primeiro a chegar e o último a sair, mas nunca se interessou pela parte administrativa, ficava nervoso porque Giordano participava das decisões referentes a produção, sentia-se diminuído, não sei porque pois sempre ficou bem claro que Luiz era um gênio no que fazia. Contudo no que se referia a decisões administrativas, ele se escusava, não queria tomar parte, e disso sou testemunha, muitas vezes o vi dizendo vocês resolvam, virava as costas e voltava para dentro da fábrica.

Bem, Odette permaneceu sem o seu Nano por nove anos, vítima de cirrose devido a uma hepatite que não sabia que tinha, após seis meses de luta, atravessou a ponte, deixando-nos repletos de saudades.

O exemplo de vida de Dette e Nano, gente simples, sem maldade, doadores naturais de amor que no anonimato muitas sementes de amor espalharam, a muitos ajudaram sem nada falar, sem fazer alarde. Nós seus filhos só descobrimos depois que eles haviam feito a grande viagem, quando alguns nos procuraram contando-nos suas histórias oferecendo a nós sincera amizade, como única forma que encontraram para agradecer os grandes amigos, e digo a vocês a maioria gente humilde de pouco poder aquisitivo, mas com um coração repleto de gratidão.

Mamãe, papai vocês foram nesta terra, gente em todos os sentidos da palavra, e eu quero gritar ao mundo o quanto os amo, e um dia quando atravessar a ponte sei que estarão ali de mãos estendidas para me guiar no novo lar.

Luconi 
27-11-09 

NÃO TEM COMO HOMENAGEAR MEU PAI SEM HOMENAGEAR MINHA MÃE, PARA MIM UM ESTÁ UNIDO AO OUTRO.
AMO VOCÊS SEMPRE